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terça-feira, abril 12, 2005

Algumas questões pertinentes 

Apesar de andar algo arredado do meu próprio blog, não me têm escapado algumas questões pertinentes que por aí têm vindo a ser levantadas. A propósito deste post do meu colega e old chap Jorge, lembrei-me de uma observação que uma psicológa fez numa reunião com directores de turma do 10º ano no passado ano lectivo. Discutia-se o papel que a escola e os professores têm / devem ter na vida dos seus alunos e alguém [este vosso blogger] se lembrou de afirmar, a propósito já nem sei exactamente de quê, que não me sinto [nem sinto a obrigação e muito menos a necessidade de ser] um amigo, um companheiro ou um confidente dos meus alunos. Alguém se insurgiu com esta barbaridade, este verdadeiro crime de lesa-educação, que defendo desde os anfiteatros da Faculdade de Letras de Coimbra para desespero das pessoas que me "davam" as cadeiras psico-pedagógicas [nas quais, aliás, apenas "aprendi" que "não há fórmulas mágicas" e que "cada caso é um caso"]. Voltando à vaca fria: a propósito do raspanete que me deu uma minha colega, sempre muito amiga e grande confidente dos seus alunos, a psicóloga presente na reunião acabou por afirmar que um dos grupos em risco no nosso sistema de ensino é aquele composto pelos filhos e filhas dos docentes. Assino por baixo. Para além das aulas que há para dar e preparar, da infindável burocaracia, dos registos de faltas, contactos - pessoais, telefónicas e por carta - com encarregados de educação e das quase sempre inúteis reuniões, se os professores ainda forem tentar resolver os pequenos [ou grandes] dramas dos seus alunos e respectivas famílias, que tempo lhes sobra no fim do dia para as suas próprias famílias e para os seus filhos? Que paciência?
Se calhar não é por acaso, e citando apenas um exemplo, que um dos meus alunos que este ano lectivo mais faltas tem a todas as disciplinas é filho de um professor da própria escola...
Não caberá às famílias "tirar mais tempo para os filhos e cativá-los"? Não será a elas que cabe "incutir determinados valores emocionais e morais aos seus rebentos, criando personalidades íntegras, não receando que a cada hiato temporal, que escapa à sua vigilância, eles possam ir por maus caminhos"? Não se andará há demasiado tempo, e com consequências por estudar, a querer que os professores sejam tudo [funcionários administrativos, "polícias", psicológos, assistentes sociais] e mais alguma coisa [pais e mães substitutos] menos aquilo que supostamente deveriam ser? Se bem me lembro, eu recebi formação para ser professor, entrei para os quadros do Ministério de Educação na qualidade de professor e, imagine-se, é isso que os meus alunos acham que sou - PROFESSOR. Não me parece que algum dos meus alunos me queira como pai, mãe ou, sequer, amigo. Já passou pela cabeça de alguém que eles sabem muito bem quem são os seus pais e mães e os seus amigos?
[E um dia destes ainda hei-de aqui explicar porque acho que "pai" e " mãe" e "amigos" também são coisas diferentes...]

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quarta-feira, abril 06, 2005

Regresso para a [longa] recta final 

Após pouco mais de uma semana de interrupção de actividades lectivas [sacanas destes professores... sempre de férias...], regressamos para o último esforço até ao final do ano lectivo. É verdade que já vamos no terceiro dia de aulas, mas nunca é tarde para desejar a todos, e desta vez especialmente aos nossos alunos, um excelente terceiro período.

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