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quarta-feira, janeiro 26, 2005

O sono 

O R. e o F. são dois alunos do Curso Profissional de Mecânica, uma espécie de último e desesperado recurso onde são literalmente despejados [não necessariamente por esta ordem]:
a) alunos com poucas ou nenhumas perspectivas quanto ao seu futuro;
b) alunos pouco ou nada interessados na escola obrigados a arrastarem-se por lá pelos pais / encarregados de educação;
c) alunos com limitações intelectuais [por muito pouco politicamente incorrecto que isto possa soar] que deveriam ter sido encaminhados para outras soluções;
d) alunos com capacidades mas mandriões, bi e tri-repetentes que [e aqui vai outra politicamente incorrecta] deveriam andar nas obras que pululam pela minha cidade.
Dizia eu então que o R. e o F. são alunos do 10º ano desse curso. O primeiro, apesar de ter Inglês há seis ou sete anos, não domina as mais básicas estruturas da Língua Inglesa. O segundo é dos melhores da turma [o que significa que é dos três ou quatro da turma que vai "pescando umas aqui e outras ali"...]. Hoje ficaram sentados na mesma carteira. Passaram os primeiros 45 minutos na conversa. Estavam na última fila e não lhes liguei. O volume foi mantido baixo e não incomadava. Cerca das 9h20 a conversa murchou e o F. quase adormeceu na carteira [R. também não estava completamente desperto mas, como tem mais "rodagem", lá se aguenta melhor]. Aproveitei um momento em que os restantes alunos faziam um exercício - a maioria só fez de conta que estava a fazer mas já nem isso me incomoda... - para me chegar junto dos semi-conscientes. Fiquei esclarecido. Um deitou-se às duas da manhã e o outro um pouco antes disso. Não lhes perguntei o que andaram a fazer. Não sou de me meter na vida privada de cada um. Mas não me parece que tenham estado a assistir ao debate de ontem à noite.

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Debate [ou nem por isso] 

Ontem à noite parece que houve um debate na RTP1 sobre as propostas para a educação dos partidos concorrentes às eleições. Lá fui resistindo como pude ao desfilar de generalidades e vacuidades dos representantes dos partidos. Soluções práticas ou medidas concretas, nem vê-las. Fui-me deitar à uma da manhã, menos esclarecido e menos "motivado" do que estava quando acordei ontem de manhã. Hoje lá me ergui a custo da cama, cerca das 7h30, para ir uma aula de Inglês a alunos cada vez mais interessados nos seus telemóveis e cada vez mais distantes da "dinamizar""importância decisiva do Inglês nas sociedades contemporâneas".

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terça-feira, janeiro 25, 2005

Concursos 

Consta que os concursos para o próximo ano lectivo terão lugar na segunda semana de Fevereiro. A semana do Carnaval, portanto. Apropriado.

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Debate [ou nem por isso] 

Se bem entendi, hoje à noite debate-se a educação na RTP1. Lá estarão presentes representantes dos cinco partidos com representação parlamentar [e, frequentemente, também para lamentar...]. Se o debate for semelhante ao de ontem - sobre a saúde - não ficarão os portugueses muito mais esclarecidos. Mas esclarecer os portugueses também não é exactamente o objectivo dos nossos partidos políticos, pois não?

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sexta-feira, janeiro 21, 2005

Bom fim de semana! 

Passo por aqui a correr. Como a correr tem sido toda a semana - incluindo uma corrida desnecessária de quase 400 kms à minha escola de origem. Só para desejar a todos - e principlamente a mim próprio - um bom e relaxante fim de semana.

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quinta-feira, janeiro 13, 2005

Praga comunicacional 

Os telemóveis são uma das piores pragas que assolam este Portugal do século XXI. Sem dinheiro para mandar cantar um cego, os portugueses não abdicam de usar e abusar desse objecto [há em Portugal mais telemóveis do que habitantes!]. É actualmente impossível ir seja onde for sem que, mais tarde ou mais cedo, um toque [polifónico, pois então] nos incomode. Restaurantes, cafés, concertos, cinema, teatro, igrejas - nenhum local escapa à praga. Nem as salas de aula, naturalmente. Alguém me explica esta "necessidade" compulsiva e doentia de "estarmos sempre contactáveis"? Não consigo entender e recuso-me a aceitar esta praga. Resisto-lhe o mais que posso, mas por vezes parece-me que sou o único lá na escola a impor regras [dicatoriais dizem alguns dos meus alunos] relativamente aos telemóveis. É inclusive, voz corrente que alguns professores na minha escola atendem chamadas e enviam SMS's durante as aulas! Por mim, resolvia-se a situação de modo muito simples: proibição total e absoluta de entrar na escola com telemóveis e ponto final. E não me venham com a lenga-lenga de que os papás e as mamãs podem precisar de contactar com os seus rebentos. Se, e apenas em casos de absoluta necessidade, precisarem de o fazer que telefonem para a escola.

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segunda-feira, janeiro 10, 2005

Pausa matinal 

Aproveito-a - à pausa matinal de quase duas horas - para desejar a todos um bom dia e uma boa semana.
Parece um queijo suiço este meu horário.

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sexta-feira, janeiro 07, 2005

Meta-blog 

O Meta-Blog do Ensino Superior nasceu há algum tempo [no último dia de 2004] e reune links para textos [essencialmente] sobre o ensino superior em Portugal. Apesar de eu ser professor do ensino secundário, resolvi aceitar o amável convite que me foi dirigido para nele participar. De repente dou por mim a pensar se não seria interessante alguém fazer o mesmo com relativamente aos blogs de professores dos outros níveis do sistema educativo português...

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Irrelevante e desinteressante 

Prémio Professor, Professor de para a pessoa mais irrelevante e desinteressante do ano de 2004: Maria do Carmo Seabra, alegadamente ministra da Educação de Portugal. Vai ser uma alegria vê-la bem longe da 5 de Outubro. Dissolva-se na sua insignificância, minha senhora.

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quarta-feira, janeiro 05, 2005

Ano novo, problemas velhos 

Esta primeira semana até estava a correr bem, mas hoje o caldo entornou-se na minha turma de 10º ano. Após insistentes pedidos de silêncio [nem lhes peço atenção, apenas silêncio] lá tive que recambiar dois meninos para outras paragens. Trocado por miúdos: foram expulsos da sala de aula. Que me desculpem as almas sensíveis, mas tenho muita pouca tolerância para com alunos que não demonstram um módico de respeito pelos seus colegas que querem aprender, incomodando-os com as suas ruidosas, ainda que certamente interessantíssimas, conversas.
Entretanto [re]descobri que neste país há alunos que chegam ao 12º ano de Humanidades sem saber distinguir um tema de um assunto e sem saber o que é uma classe morfológica. A culpa, por certo, não é deles mas de quem os lá deixou chegar na mais completa ignorância de noções básicas.
E no início do segundo período não podiam faltar as reclamações sobre as classificações atribuidas no final do primeiro período. Até hoje só me chegaran duas, uma das quais no corredor. Argumento: "mas ó setor, a minha média dá 15...". Média das notas dos testes, bem entendido. Adianta-me muito estar constantemente a pregar sobre a avaliação contínua...

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segunda-feira, janeiro 03, 2005

Regresso 

Com o primeiro dia de aulas após a interrupção do Natal / Ano Novo, regresso também aos posts e não é porque não tenha net chez moi que não "postei" durante as "férias", foi mesmo por pura preguiça e alguma falta de assunto. E de tempo. É que por mais que me esforce, não consigo escapar às obrigações da época natalícia.
Um excelente segundo período e um grande 2005 é o que desejo a todos.

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