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quarta-feira, junho 29, 2005

[Ainda] de férias 

[A propósito do post anterior]

A reunião de avaliação das 19h30 terminou às 22h00. Acabei de jantar passava das onze. Amanhã vou ter outro dia "de férias" em cheio: correcção dos testes do Ensino Recorrente [tarde] e aulas do mesmo [noite]. De manhã? Tenciono não sair da cama antes do meio dia. Estou "de férias" ou não estou, caramba?!

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A proposta de permuta apresentada no post abaixo continua de pé apesar de, estranhamente, ainda não ter aparecido ninguém interessado na troca. Citando Mário Jardel: "Porque será?..."

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De férias 

Segundo alguns e algumas iluminados/as que por aí pululam eu estou de férias. O seu raciocínio é simples e linear: não há aulas, logo eu estou de férias.
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Passo a relatar as minhas férias desde o dia 27 de Junho [primeiro dia sem alunos na minha escola]:
- 27 de Junho: vigilância do exame nacional de Desenho e Geometria Descritiva [manhã]; reunião de avaliação [tarde]; aula extra do Ensino Recorrente nocturno [noite, fora do meu horário regular devido à imposição da dona Maria de Lurdes de suspensão de todas as actividades lectivas entre 17 e 23 de Junho].
- 28 de Junho: aula do Curso Profissional [manhã]; correcção dos testes do Curso Profissional de Mecânica [tarde]; elaboração do teste de segunda oportunidade para os alunos que não obtiveram classificação positiva [noite].
- 29 de Junho: aula do Curso Profissional de Mecânica [manhã]; correcção dos testes de segunda oportunidade do Curso Profissional de Mecânica [irei fazê-lo à tarde]; reunião de avaliação [19h30].
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Permuto estas minhas férias por outras em ilha paradísiaca [regime de meia-pensão ou superior] com mojitos e caipirinhas à discrição. Os interessados deverão utilizar a caixa de comentários em baixo. Deixar contacto telefónico para ajuste dos pormenores. Obrigado.

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sexta-feira, junho 24, 2005

Errare humanum est [*] 

Ficaram esclarecidos?

[Ainda que certos erros, ou lapsos, sejam inadmíssiveis em determinadas situações e intoleráveis em pessoas que exercem determinadas funções...]

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Em dia de regresso às aulas... [*] 

... no Parlamento discute-se [?] a Educação. Pois... E eu a pensar que para debater era necessário haver ideias...

[*] Após quase uma semana extra de férias concedida aos alunos pelas medidas que a dona Maria de Lurdes decretou para combater as greves convocadas pelos sindicatos. Hoje é o último dia de aulas na minha escola.

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quinta-feira, junho 23, 2005

Falou e disse... 

... e mais valia ter ficado caladinha.
A dona Maria de Lurdes acaba de dar uma conferência de imprensa. Assim que conseguir a sua declaração na íntegra coloco-a aqui.
É espantoso como dona Maria de Lurdes consegue fazer Maria do Carmo Seabra - a sua antecessora, lembram-se? - parecer minimamente competente.


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Olha o sacana do priviligiado a queixar-se!... 

A carta que a seguir transcrevo foi publicada no Público de Quarta-Feira, 22 de Junho de 2005, na secção Cartas ao Director.

"Que privilégios?

Sou professor desde 1985. Tirei uma licenciatura em Ensino que paguei com o meu trabalho. Tenho duas pós-graduações que paguei do meu bolso. Encontro-me (congelado) no 8º Escalão da Carreira Docente. Leccionei durante o presente ano lectivo as disciplinas de Português, Francês, Oficina de Teatro (oferta da escola), Área de Projecto e Formação Cívica. Fui director de turma e responsável pela coordenação pedagógica da Formação Cívica. Ponho do meu bolso muitas vezes para que alguns alunos possam participar nas actividades (este ano, por exemplo, paguei os bilhetes a alunos numa visita de estudo ao Teatro Nacional D. Maria II).
Trabalhei durante o feriado municipal (7 de Junho), no dia 9 até às 24 horas e no sábado, 11 de Junho, toda a manhã a montar uma exposição de todos os trabalhos da Área de Projecto. Carreguei escadotes, expositores, subi e desci. Não meti um único atestado médico durante o ano. E vêm falar da porra dos privilégios? Recebi de vencimento, no mês de Maio, 1 437, 22 euros. Descontei para a Caixa Geral de Aposentações / Segurança Social 201,41 euros e de IRS 433,00 euros. Privilégios? Troco já por uma outra profissão com o mesmo salário e que se f... os privilégios!
Não vivo no luxo. Não passo férias no estrangeiro. Pago mensalmente à CGD a hipoteca de um T3, sem garagem e sem piscina. Pago mensalmente um Honda Jazz. Não tenhpo Audi, BMW, Mercedes, jipe, casa de férias. Que porra de privilégios?
Venham dar aulas. Venham ver como se comporta a maioria dos alunos dentro e fora das salas de aula! Venham ver a falta de autoridade, a falta de respeito, o enxovalho quase permanente! Com isto não está preocupado o Ministério da Educação, nem a a Confap. Areia para os olhos!
Sou professor, repito, não um malfeitor. Não sou comunista, não sou sindicalizado e vou aderir à greve porque estou farto da incompetência e da prepotência do ministério, da Confap e da opinião pública!

José Joaquim Araújo
Carnaxide"

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Açores declaram independência [e ninguém me diz nada?] 

A dona Maria de Lurdes, por acaso ministra da Educação da República Portuguesa, afirmou que a decisão do Tribunal Administrativo de Ponta Delgada relativamente à requisição de todos os professores para assegurar serviços mínimos no período de exames "não respeita à república portuguesa, portanto não respeita ao nosso sistema".
Confesso a minha distração: não me tinha apercebido que a Região Autónoma dos Açores havia declarado a independência. Quando foi?

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quarta-feira, junho 22, 2005

Valerá a pena? 

Insistir na ideia de que bons e maus profissionais os há em todas as carreiras? Que a carreira docente não é excepção? Sim, há maus professores em Portugal, como há maus médicos, maus advogados, maus jogadores de futebol, maus operários da construção cívil, maus juízes, maus advogados, maus políticos [até ia escrever péssimos, mas enfim, não quero ser acusado de exageros...], maus escriturários, maus contabilistas, maus técnicos de informática, maus engenheiros, maus arquitectos, maus taxistas, maus empresários, maus... acho que dá para perceber onde quero chegar.
Ao contrário do que se possa pensar - e eu até sou insuspeito porque já por mais de uma vez por aqui expus situações que em nada beneficiam a imagem dos professores - o problema da educação em Portugal não são os professores. Não são pelo menos aqueles - e em cerca de 150 mil ainda serão bastantes - que dedicadamente trabalham pensando unicamente nos seus alunos [e muitas vezes sacrificando a sua vida social e familiar]. Aliás, não há UM problema. Há muitos. Demasiados. Começam no estado de degradação de muitas das nossas escolas, passam pelos inúmeros políticos que já estiveram no ministério da Educação e lá quiseram deixar a sua "marca" [normalmente através de uma "reforma do sistema educativo"] e pelos funcionários do próprio ministério, das direcções regionais, CAEs e outros departamentos sempre avessos a qualquer mudança [a generalidade desses funcionários - principalmente os de topo, quantos deles nomeados pelos sucessivos poderes políticos? - NÃO SÃO professores], passam pelos programas [quantas vezes delineados por quem há anos não tem contacto com a realidade das escolas e dos nossos alunos?], passam pela progressiva perda de autoridade dos professores [fomentada tão somente pelos sucessivos governos com o beneplácito da sua corte de funcionários colocados nos diversos departamentos do ministério da Educação], passam ainda pela instabilidade a que estão sujeitos milhares de professores e centenas de escolas, passam ainda por muitos, demasiados, outros problemas.
Querem discutir a Educação em Portugal? Façam-no, mas vão às escolas onde chove nas salas de aula. Vão às escolas onde no Inverno a temperatura é inferior à da rua. Vão às escolas onde no Verão se sufoca de calor. Vão às escolas onde há alunos cuja única refeição quente do dia é dada pela escola. Vão às escolas onde dezenas de professores são agredidos quase diariamente. Vão às escolas onde não bibliotecas ou onde as há mas não há dinheiro para comprar livros. Vão às escolas onde não computadores suficientes para as aulas de informática. Vão às escolas ponto final.
Querem discutir privilégios? Façam-no. Mas discutam também as depesas que temos com livros, esferográficas, computadores, papel, cadernos, dicionários, viagens, alojamento longe da família. Discutam também os processos de colocação de professores. Discutam ainda a instabilidade da carreira docente. Discutam também a precaridade de milhares de professores que não são do quadro mas que todos os anos acabam por ser colocado porque não dá jeito abrir vagas nos quadros de escola [os contratados são mais baratos...].
Querem discutir a Educação em Portugal? Façam-no. Mas sem hipocrisias. Com seriedade. Olhem para a floresta.
Valerá a pena insistir? Valerá a pena ser chamado de cínico na comunicação social?

[Pesso desculpa pela qualidade da proza asima - foi escrita de rajada e não sugeita a corressão. Us que quizerem darse ao trabalho de me corrijir que o fação, estoume lixando-me!]

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De pé, oh vítimas [dos professores deste país] 

Ando com um certo receio de sair à rua. Aliás, ando mesmo com medo. Muito.
Percorrendo alguns blogs, ouvindo algumas conversas, lendo alguns comentários, ouvindo / vendo pessoas responsáveis falar na rádio / televisão sobre a greve em curso, fico com a ideia de que pertenço a uma classe odiada que usufrui de privilégios sem par na sociedade portuguesa. Fico, portanto, com a impressão que, se me descuidar e entrar num beco mais escuro, poderei ser linchado pelos justiceiros que por aí andam. Por estes dias já me chamaram de tudo: incompetente, sorna, preguiçoso, priviligiado, inculto, cínico, etc... [a bem da verdade, "etc" ainda não me chamaram...].
É espantoso o ódio que a classe docente suscita. Há um ou dois dias, lendo um post algures, senti-me como se eu eu e todos os meus colegas vivêssemos à custa do sangue, suor e lágrimas dos pobres desgraçados que tiveram o azar de nascer em Portugal.
Somos uma corja de exploradores desumanos, vivendo de papo para o ar à custa de todos os outros portugueses que lá se vão esfalfando para pagar as nossas luxuosas moradias em condomínios fechados, os nossos luxuosos automóveis, helicópteros e jactos particulares, as nossas intermináveis férias, os nossos jantares nos mais caros restaurantes de Lisboa, Nova Iorque ou Rio de Janeiro, as nossas roupas hâute couture compradas em Milão e Paris, enfim todos aqueles luxos a que estamos habituados.
E agora, que os injustiçados [finalmente revoltados] deste pobre e sofredor país nos querem retirar os nossos privilégios, reagimos mal, esperneamos, fazemos greve [como se fosse preciso fazermos greve para não trabalharmos...], vamos para a rua.

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terça-feira, junho 21, 2005

Olha! Alguém se lembrou do ensino nocturno... 

... que cada vez mais parece ser o patinho feio de quem ninguém quer saber em Portugal. Desta vez alguém se lembrou que graças à absurda ordem da dona Maria de Lurdes - que mandou convocar todos os professores de todo o país mesmo nos dias em que na sua região não há qualquer greve - os alunos do ensino nocturno estão sem aulas desde Sexta-Feira [e muitos deles até tinham testes decisivos marcados para estes dias...]. Com estes alunos - que na esmagadora maioria são também trabalhadores - quem se preocupa?
E já agora, quem se preocupa com os alunos dos novos cursos profissionais que também estão sem aulas e aos quais, segundo ordens do ministério, tem que ser leccionado um número exacto de horas a cada uma das disciplinas dos seus curriculos? Quando lhes vou dar essas aulas? Em Julho? Lamento muito mas em Julho não o faço e nem é por mim [que sou priviligiado e até tenho um carro comercial com quase nove anos e mais de 300 mil quilómetros de estrada...], é pelos meus alunos que a partir do dia 30 de Junho não têm mais transporte escolar. Quer que os vá buscar a casa, dona Maria de Lurdes?


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Ainda [ou novamente?] o senhor Abílio 

[contra o qual nada me move e por quem continuo a ter elevada estima e inesgotável consideração]

Hoje vi-o na televisão - na RTP e na SIC Notícias - muito contente porque os seus filhos e os filhos dos que representa poderem, graças ao digno comportamento dos professores portugueses, realizar os exames. Só não consegui foi ouvir a parte em que o senhor Abílio se mostrou indignado contra o facto de a dona Maria de Lurdes ter ordenado a suspenção de todas as actividades lectivas em todo o país até Quinta-Feira. Imagino a preocupação do senhor Abílio com este assunto - é que ainda me lembro de o senhor Abílio se indignar com os tempos sem ocupação [*] que os seus filhos tinham devido às tenebrosas reuniões intercalares.

[*] Sem ocupação não é exactamente verdade - parece que os jovens gostavam de aproveitar esses dias de reuniões intercalares para se encontrarem nas "grandes superfícies comerciais"... Pelo menos foi o que na altura a SIC mostrou. Então agora já não há problema?

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segunda-feira, junho 20, 2005

Isso quer dizer que já não me acha cínico?... 

«O responsável da Confap, Albino Almeida, elogiou o facto de a elevada adesão à greve não ter afectado os exames.»
Público

E o senhor Abílio, por quem aliás sempre tive elevada estima e inesgotável consideração, ainda acrescentou que "Este comportamento dignifica a classe porque os que fazem greve manifestam a sua posição e os outros asseguram os exames e os interesses dos alunos."


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A dona Maria de Lurdes 

A dona Maria de Lurdes acha que eu sou um professor responsável. Conta até com o meu elevado sentido de responsabilidade para que os exames nacionais em curso decorram sem perturbações de maior e sem prejuízo para os alunos. Naturalmente, fico sensibilizado por esta tocante demonstração de estima que a dona Maria de Lurdes teve para comigo. É por isso que venho publicamente pedir à dona Maria de Lurdes que repare a tremenda injustiça que os serviços do ministério que dirige cometeram para comigo. Acontece que os seus serviços, por certo desconhecendo o meu sentido de responsabilidade, acharam que eu me poderia eximir às minhas responsabilidades e assim boicotar o serviço de exames e ordenaram-me que me apresentasse na escola nos dias 17, 20, 21, 22 e 23 de Junho para "assegurar serviços mínimos". Dona Maria de Lurdes faça o favor de ordenar aos seus serviços que retirem esta inusitada ordem e informe-os de que o meu sentido de responsabilidade jamais me permitira fazer fosse o que fosse que prejudicasse os alunos.

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O senhor Abílio 

O senhor Abílio não gosta mim. Não sei porquê, mas é público e notório que o senhor Abílio tem algo contra mim. Acha-me "cínico", acha que não respeito os seus filhos e os filhos dos pais que representa, acha que não respeito a sua vida familiar. O senhor Abílio lá terá as suas razões, por certo muito respeitáveis. Só não compreendo porque acha o senhor Abílio que eu sou cínico. Eu não tenho o prazer de conhecer o senhor Abílio, sua prole e respectivo agregado familiar e custa-me compreender como pode o senhor Abílio ter tantas convicões a meu respeito se não me conhece.

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É a democracia, estúpido! [continuação dos posts anteriores] 

«Legitimidade do serviço mínimo continua em causa»
Diário de Notícias, 20.06.2005

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«Os professores que não cumprirem os serviços mínimos durante a greve serão penalizados de acordo com a lei, afirmou a ministra da Educação, no domingo, em conferência de imprensa sem especificar quais as sanções a aplicar [...]»
Diário Digital, 20.06.2005

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«O Ministério da Educação afirma que o sucesso da realização dos exames "deve-se aos professores e ao seu sentido de responsabilidade que colocam os interesses dos seus alunos acima dos interesses dos sindicatos."»
Público, 20.06.2005

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«Um total de 133 alunos de quatro escolas não realizou esta segunda-feira o exame nacional do 9.º ano de Língua Portuguesa devido à greve dos professores. O Ministério da Educação pondera agora a hipótese de repetir a prova.»
Visãonline

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sexta-feira, junho 17, 2005

É a democracia, estúpido! [continuação do post anterior] 

Docentes na 'manif' com falta injustificada

Diário de Notícias, 17.06.2005

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Exames sem problemas em dia de manifestação

Visãonline, 17.06.2005

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Milhares de funcionários públicos desfilam até à AR

Diário Digital, 17.06.2005

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É a democracia, estúpido! 

Professores não faltaram ao arranque dos exames nacionais

Público, 17.06.2005 - 15h03

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Another brick in the wall [para a 5 de Outubro] 

We don't need no education
We don't need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey teacher leave them kids alone
All in all it's just another brick in the wall
All in all you're just another brick in the wall

We don't need no education
We don't need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey teacher leave them kids alone
All in all you're just another brick in the wall
All in all you're just another brick in the wall

[Pink Floyd, lyrics by Roger Waters]

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quinta-feira, junho 16, 2005

School's out [com dedicatória ao polvo] 

Well we got no choice
All the girls and boys
Makin all that noise
'Cause they found new toys
Well we can't salute ya
Can't find a flag
If that don't suit ya
That's a drag

School's out for summer
School's out forever
School's been blown to pieces

No more pencils
No more books
No more teacher's dirty looks

Well we got no class
And we got no principles
And we got no innocence
We can't even think of a word that rhymes

School's out for summer
School's out forever
School's been blown to pieces

No more pencils
No more books
No more teacher's dirty looks

Out for summer
Out till fall
We might not go back at all

School's out forever
School's out for summer
School's out with fever
School's out completely

[lyrics by Alice Cooper, 1972]

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segunda-feira, junho 13, 2005

Adeus 

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Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

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Adeus também a Álvaro Cunhal. Goste-se ou não da personagem, a Cunhal devemos também a liberdade de que hoje gozamos.

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domingo, junho 12, 2005

Cortes e papelada 

Amanhã tenho as duas primeiras reuniões de avaliação final deste ano lectivo. Trata-se de turmas do 12º ano, cujas aulas já terminaram e cujos exames nacionais têm início na próxima sexta-feira. A menos de 24 horas da primeira reunião, já imagino a quantidade de "documentos" que irão ser produzidos e preenchidos, muitos dos quais perfeitamente inúteis e redundantes. Se reduzíssemos a quantidade de papel gasta nas inúteis burocracias do sistema educativo creio que daríamos um significativo contributo para a redução das despesas do Estado com a Educação. Já para não falar das horas que se gastam - e tempo é dinheiro - com essas inutilidades burocráticas. Antes de cortar o pagamento aos professores estagiários, talvez a senhora ministra devesse começar a cortar nos excessos e nas inutilidades. E há muito por onde cortar.

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quinta-feira, junho 09, 2005

Não explicam... 

Segunda feira de manhã tenho uma reunião de avaliação do 12º ano. À mesma hora tenho uma aula do 11º ano. Pergunto à funcionária de piso responsável pela marcação de faltas que instruções recebeu sobre estas faltas. Não sabe / não responde. Pergunto na secretaria, perdão, nos serviços administrativos. Não sabem / não respondem. Não pergunto a mais ninguém.

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terça-feira, junho 07, 2005

Teacher's back online 

Não que tenham dado pela minha falta mas, após um longo interregno, regresso aos posts por aqui. Para fazer, em directo, ao vivo e a cores, o acompanhamento do final deste ano lectivo [que diga-se não está a acabar da melhor maneira para a classe docente...]. Para já vou trabalhar que segunda feira já há reuniões de avaliação [12º ano].

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