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quarta-feira, dezembro 22, 2004

As férias, at last!... 

Pois, pois, já sei que tenho uma bela vida e que passo a vida a ter férias [até já escrevi um post sobre o assunto aqui há uns meses], mas depois destes primeiros meses do ano lectivo de 2004 - 2005 acho que merecemos todos uma pausa para descansar e recarregar baterias.
Por outro lado, não entendo as pessoas que passam a vida a queixar-se de que os professores têm muito tempo de férias. O que é que querem? Que as aulas não parem no Natal, na Páscoa e no Verão? Ou que os professores fiquem nas escolas a fazer de conta que trabalham? Ou que fiquem nas escolas a fazer limpezas, pintar paredes e recuperar o mobiliário que os seus filhos danificam?
E ainda mais algumas perguntas: quantas horas trabalha semanalmente um professor? Quantas horas gasta a preparar aulas e materiais didácticos, a elaborar e corrigir testes? Quantas horas gastam os professores a realizar tarefas administrativas e burocráticas, as quais nem sequer deveriam realizar? Tudo somado, talvez se concluisse que os professores portugueses talvez sejam dos trabalhadores que mais horas trabalham por ano. Portanto, parem lá com a história da "bela vida" e das "férias permanentes".
Umas boas férias, um excelente Natal e um feliz ano novo.

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sexta-feira, dezembro 17, 2004

As reuniões de avaliação 

Há mais de 10 anos que sou professor e até hoje ainda não percebi muito bem a lógica das denominadas reuniões de avaliação. Para que servem realmente? O que se faz nessas reuniões que não pudesse ser feito por meios mais expeditos? Conferir classificações e pautas - eis o que actualmente se faz nas "reuniões de avaliação". Isso e preencher papéis com... classificações. Eventualmente discutir um ou outro caso "mais problemático". Quando muito definir umas vagas "estratégias de remediação" destinadas a "reduzir os níveis de insucesso" de uma turma ou disciplina [estratégias genericamente destinadas ao fracasso]. Será mesmo necessário enfiar 10, 11, 12, às vezes 14 professores numa sala para isto? Só no país das comissões de inquérito, dos debates públicos, do faz-de-conta que se faz mas não se faz, dos estudos prévios e do raio que parta.
E depois, há mais uma, digamos, peculiaridade, do nosso sistema educativo que também tenho uma certa dificuldade em perceber. Enquanto professor a classificações que atribuo na minha disciplina NÃO são da minha responsabilidade. A responsabilidade é do Conselho de Turma, o que significa que, como todos sabemos, qualquer professor do mesmo pode questionar qualquer classificação atribuida a qualquer aluno em qualquer disciplina. A classificação - qualquer classificação - que eu "proponha" [é assim que a lei estipula, parece...] pode ser modificada pelo Conselho de Turma. Quer eu queira, quer não; quer isso me agrade, quer não.
"Reuniões de avaliação"? I don't think so...

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E agora fim de semana... 

... depois dois dias de reuniões de avaliação e depois férias.

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Mais um BlogProf [este é superior... cuidado...] 

Descobri mais um Professor blogueiro [estes neologismos...] através de um comentário que o mesmo teve a amabilidade de aqui colocar. Trata-se do Paulo Lopes que forma Professores na Escola Superior de Educação de Viseu e mantém o Acontecencias. Vale a pena a visita.

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quarta-feira, dezembro 15, 2004

Fim de período e auto-avaliação 

Detesto as aulas de final de período. Refiro-me às aulas em que, supostamente, os alunos fazem a auto-avaliação do trabalho desenvolvido ao longo do período. Por muito que nos esforcemos, não conseguem ir além de uma mão-cheia de banalidades e inutilidades, limitando-se a "pedir uma nota" [e geralmente uma nota baixa - se é para pedir, porque não pedir a "nota" mais alta??]. Porém, o que mais me irrita é o facto de, recorrentemente, me "pedirem uma nota" com base na assiduidade, pontualidade e comportamento. É que eu tenho cá a estranha ideia - que, confesso, não sei onde fui buscar... - de que ser assíduo, pontual e ter bom comportamento faz parte dos deveres dos alunos [no meu caso, alunos do Ensino Secundário]. Porque raio haveria eu de "dar" mais um valor a alguem que se limitou a cumprir as obrigações e deveres que o próprio Regulamento Interno da minha escola estipula?

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segunda-feira, dezembro 13, 2004

Na hora da despedida [desencantada] 

Apesar de o doutor Lopes andar a fazer de conta que não percebe as razões, o presidente Sampaio lá dissolveu a Assembleia provocando eleições antecipadas. É curioso, entretanto, notar que já todos parecem ter-se esquecido do que, ao longo de dolorosos meses, foi acontecendo no sistema de ensino português. Seria bom que até 20 de Fevereiro alguém se lembrasse de confrontar a maioria cessante com as suas responsablidades no processo de colocação de professores que, desde a sua implementação, só criou problemas e trapalhadas culminando no caos de Agosto e Setembro. Nem eu nem todos os docentes afectados esquecem os angustiantes momentos vividos.

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Fim de período 

Calmamente, apesar do atribulado arranque, eis-nos chegados à última semana de aulas. Depois será tempo das primeiras avaliações e das comezainas natalícias [para os outros que eu nem sou adepto da maioria dos pratos da época]. Hoje ainda há tempo para dar um teste a uma turma [caprichos dos horários, dos feriados e do péssimo processo de colocação de professores]. Depois é ocupar o resto da semana com auto-avaliações e balanços do primeiro período.

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terça-feira, dezembro 07, 2004

Sensibilidades... 

Onze da manhã e estou a meio de uma aula com uma turma dita problemática. Só hoje percebi porquê. Estes meninos - todos rapazes, a frequentar um dos novos cursos profissionais do 10º ano - são hiper-sensíveis.

Na aula desta manhã mandei, repetidamente, calar T., jovem bem-apessoado e de madeixas louras no cabelo. O rapaz bem se esforçou mas é mais forte do que ele. Não lhe ensinaram, na escola e muito menos em casa, a comportar-se numa sala de aula. Entretanto, N. vira-se para trás e quando o mando virar para a frente troco o seu nome e digo qualquer coisa como "T. vira-te para a frente." Compreensivelmente, T., jovem de sensibilidade apurada, reagiu. "Sou sempre eu! O que é que eu fiz? O melhor é ir-me embora!" Com esforço lá consegui conter a verborreia do rapaz. "Desculpa lá, enganei-me... Eu queria dizer N." e etc e tal. Além de muito sensível às injustiças, T. sofre também de uma notória deficiência auditiva. Não me ouviu e foi-se embora.

Só então percebi o problema desta turma problemática. São demasiado sensíveis estes rapazes. A partir de agora não os mando calar, peço-lhes o favor de tentarem manter as conversas a um nível mais baixo. Em vez de os mandar virar para a frente, peço-lhes o obséquio de tentarem dar-me um pouco da sua atenção.

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domingo, dezembro 05, 2004

Ai o fim de semana... 

no fim!
Amanhã começa mais uma semana de testes para as minhas turmas. Felizmente que na quarta-feira há um feriadito para dar descanso aos neurónios - meus e dos meus alunos. E à caneta vermelha, que eu sou um tradicionalista nestas coisas, que dia 8 é dia santo e nos dias santos não se trabalha, certo?
E o primeiro período quase no fim...

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quinta-feira, dezembro 02, 2004

Outra limpeza 

O que Jorge Sampaio fez na terça-feira. Agora caberia aos portugueses varrer, de uma vez por todas, os incompetentes e oportunistas que conspurcam a política portuguesa. Infelizmente isso não irá acontecer.

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Ainda a limpeza, a arrumação e a educação 

A propósito do meu post sobre limpeza, arrumação e educação, deixou-me a Inês este comentário: «E mais, andamos nesta onda de ecológicas participações e é tudo treta, palavras sem feedback.
Acontece o mesmo na minha escola, as turmas deixam as salas em estado de sítio, parece que sairam a correr a tirar o pai da forca. Quem vier a seguir que arrume!
E os profs, desgraçadamente dão o exemplo aos seus alunos e aos alunos seguintes: deixam o quadro por limpar, numa de 'ó p'ra mim tão superior'.
Este incivismo produz um efeito devastador na formação dos alunos. Porque o exemplo é tudo, a prática deve corresponder rigorosamente à teoria. Respeitar o outro é o início da cidadania.»

Inês,
Teacher.

Nem mais.

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