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segunda-feira, novembro 29, 2004

Ainda a motivação 

E aos professores, quem [n]os motiva?!

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Motivação, my foot! 

Lembro-me vagamente de nas cadeiras psico-pedagógicas, nas quais pouco ou nada de relevante aprendi, se falar constantemente da "motivação" e da necessidade de os professores "motivarem" os alunos e das "estratégias de motivação". No ano de estágio, também tenho uma ideia de haver nas aulas um período inicial a que as minhas orientadoras se referiam como "motivação". Esse vago conceito nunca o compreendi muito bem e cada vez menos o aceito como válido, especialmente ao lidar com alunos do Ensino Secundário. Hão-de perdoar-me, mas creio bem que ao chegarem a este nível de ensino, das duas uma: ou os alunos já vêm devidamente motivados ou então pouco haverá a fazer.

Hoje de manhã, a C., jovem inconformada a frequentar o 12º ano de escolaridade, resolveu contestar a realização de um exercício, perguntando-me em que é que a sua realização contribuiria para a sua felicidade. Pouco ou nada, respondi-lhe. C. quis então saber se era assim que eu achava que motivava os alunos. "Não estou aqui para motivar ninguém", respondi-lhe, provocando um mini-escândalo na turma. Lá expliquei que se os alunos do Ensino Secundário não acham que as classificações no final dos períodos e a satisfação de um trabalho bem feito não são motivação suficiente, então o melhor seria repensarem as suas opções de vida. C., e os colegas, não perceberam. Não percebem obviamente para que serve o tempo passado na escola ou que impacto esse tempo terá no seu futuro. Receio, contudo, que a culpa não seja deles. Lá terei que pensar em "estratégias de motivação" para cativar o seu interesse.

Falta só referir que a disciplina que lecciono a esta turma é uma disciplina de opção, que os alunos escolheram entre outras disiciplinas. Porque a escolheram ultrapassa-me...

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quarta-feira, novembro 24, 2004

Que belas ideias tem este governo! 

Daqui a algum tempo o portão lá da escola vai ser uma coisa linda de se ver: professores, alunos e talvez alguns funcionários em alegre convivência, todos fumando o seu cigarrinho e tagarelando sobre as novidades do dia [e da véspera, no período da manhã!]. Assim se fomenta um ambiente de sã convivência nas nossas escolas, acabando ao mesmo tempo com uma inadmissível discriminação que permite que os stores tenham uma sala de fumadores e que obriga os alunos a fumar às escondidas. Obrigado, xôtor Luis Filipe Pereira. Eu lá estarei em todos os meus intervalos.

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Limpeza, arrumação e educação 

Educar - e instruir - os nossos alunos é, de facto, uma tarefa complicada e mais complicada se torna pelas "pequenas" atitudes de alguns professores. É que, como diria o outro, ele há certas e determinadas situações que me deixam fulo.
Dois exemplos. Todas as Quartas-feiras tenho aulas numa sala cujo quadro se encontra invariavelmente cheio de estranhas fórmulas económico-contabilisticas. Não é por nada, mas o exemplo é tudo e deixar o quadro por limpar é dizer aos alunos "não se preocupem em limpar a porcaria que fazem, que quem vier a seguir o fará por vocês." Outro exemplo: todas as Quintas-feiras, ao primeiro tempo - parece que agora lhe chamam blocos - tenho aulas numa sala qu se encontra, invariavelmente, num estado absolutamente caótico: carteiras desarrumadas, cadeiras espalhadas pela sala, papéis por todo o lado [folhas amarrotadas, embalagens de batatas fritas, etc...]. Sem comentários.
Hoje descobri o alérgico ao apagador. Amanhã segue participação sobre o estado da sala. Já chega.
É óbvio que estas situações não são exclusivo desta escola. Em praticamente todas as escolas por onde passei há uns e umas colegas com umas estranhas noções de limpeza, arrumação e respeito pelo próximo.

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sexta-feira, novembro 19, 2004

Mais dois BlogProfs 

O da Sereiadalua e o do Driller. O primeiro ainda cheira a novo, o segundo só agora me cruzei com ele, via Inês [Teacher]. Bons posts!

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quinta-feira, novembro 18, 2004

Frio. Muito frio. 

Boa surpresa do dia: o aquecimento foi, finalmente, ligado. Já era tempo.

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quarta-feira, novembro 17, 2004

Ler jornais é saber mais ou demais? 

Local: sala de fumadores [na realidade fumadoras, que a sala quase só é frequentada por professoras]. Hora: intervalo das 10h00 - 10h15. Assunto: os cortes na despesa.
Alguém se referiu ao facto de o aquecimento da escola não estar ainda a funcionar o que levou a uma conversa sobre os cortes nas despesas, onde cortar, como cortar, quanto cortar, etc. Até que alguém dá como exemplo uma notícia publicada [não percebi onde] sobre os cortes na despesa dos ministérios. E onde cortaram os ministérios: em várias despesas, nomeadamente nas assinaturas de jornais. E porquê? Há duas explicações, ambas plausíveis. A da M. da L. e a minha. Segundo a M. da L. , ler jornais é saber mais e quanto mais as pessoas sabem, mais questionam, logo ao vedar a informação aos funcionários dos ministérios estes não se questionarão sobre as trapalhadas do nosso governo [porque, em larga medida, as desconhecerão ou apenas conhecerão a "versão oficial", veiculada pela "voz do dono"]. A mim parece-me que esta explicação é reveladora de uma enorme má-vontade para com o governo. Acompanhem-me: o governo não tem feito outra coisa nos últimos meses que não seja reagir às notícias, reportagens, crónicas, entrevistas e opiniões que vão surgindo na nossa imprensa, ficando portanto com pouco ou nenhum tempo para nos governar. Ao deixarem de ler jornais, os nossos governantes deixam de saber que a imprensa diz mal deles, por pura má-vontade claro, e deixa de ter que reagir a essa publicidade negativa. Fica, assim, a equipa liderada por Pedro, O Grande com todo o tempo do mundo para trabalhar.

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Um je ne sais no ar 

Anda qualquer coisa no ar na minha escola. Não sei bem o que é, mas toda a gente parece mais contente esta semana. Mais leve, mais alegre, mais sorridente. Talvez seja porque o senhor que [parece que] manda no PPD-PSD anunciou há uns dias o fim da crise. Se assim for, percebo os sorrisos: anda tudo a rir-se das piadas do nosso primeiro. É um pândego, este Pedro!

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segunda-feira, novembro 15, 2004

Um selo para as CERCI 

Este professor também vai enviar um email ao primeiro ministro [sim, em minusculas], aderindo a uma iniciativa dos blogs Tugir em Português e Estaleiro.

«Senhor Primeiro-Ministro

Estando perfeitamente elucidado sobre o Orçamento de Estado para 2005 e sabendo que V.Ex.ª. tenciona enviar-me uma carta em que dará esclarecimentos de que prescindo, solicito que se abstenha do respectivo expediente e faça entrega do montante respectivo a uma CERCI à escolha de Vossa Excelência.

Respeitosamente,
Ass.»

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Ler jornais é saber mais? 

A concepção redutora que alguns professores/as têm da sua própria função não cessa de me espantar. Aqui há dias ouvi uma colega, que muito prezo por sinal, indignar-se com a utilização que alguns professores fazem dos computadores da escola. Dizia a senhora qualquer coisa como "Ele há colegas nossos que vão à Internet para consultar os jornais!". Que grande crime. Eu, embasbacado, apenas pergunto: manter-me informado sobre o que se passa no mundo não será uma das minhas obrigações enquanto professor??? Curiosamente, a senhora nada disse sobre os jornais que a escola assina e que juncam a pesada mesa da sala de professores para que todos os possamos consultar...
E, de certeza, que a senhora ainda não sabe da existência de blogs. Ou que há professores que usam os computadores da escola para os consultar e actualizar [o que nem é meu caso: já não me satisfaço com a velocidade a que se movem as lesmas, leia-se computadores e ligações, lá da escola e, como sou um info-privilegiado, tenho em casa uma ligação de alta velocidade...].

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Ainda a propósito dos Directores de Turma 

Só uma adenda ao post anterior: a maior parte [pela minha experiência, bem acima de 90% em números optimistas] dos Pais e Encarregados de Educação só aparece nas escolas no início do ano lectivo ou no final dos períodos para receber as avaliações. Ah! E no fim do ano lectivo para proceder às matrículas.
Portanto, chamar hora de recepção aqueles 90 minutos que os Directores de Turma passam na respectiva sala é um verdadeiro eufemismo, para não dizer disparate. Nos últimos 3 anos fui Director de Turma e nas minhas horas de recepção ocupei-me das mais diversas actividades, excepto receber Encarregados de Educação. E sempre saí para tomar café ou fazer um xixizinho [ou será chichizinho].
Para adenda, isto acabou por se tornar num longo post... Desculpem lá o mau jeito. E o mau feitio...

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Horários são para cumprir, mas... 

... ele há coisas muito estranhas. A presidente do Conselho Executivo da minha escola proibiu os Directores de Turma de se ausentarem da respectiva sala durante a respectiva hora de recepção aos Encarregados de Educação, nem sequer para tomarem um cafezinho ou fazerem um chichizinho [ou será um xixizinho?]. Eu também acho que os horários são para respeitar, mas há imposições realmente absurdas. Já agora, a senhora podia começar a pagar aos Directores de Turma que ficam na escola, far and beyond the call of duty, a trabalhar muito para além da sua hora, que recebem Encarregados de Educação ao fim da tarde ou princípio da noite, que praticamente andam atrás de alunos com excesso de faltas para que cuidem da sua assiduidade, etc. Senso e sensibilidade [como diria Jane Austen - que bem que ficam estas citações literárias num blog...] nunca fizeram mal a ninguém.

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Partindo do princípio que ele existe, claro 

«Um especialista norte-americano classificou hoje de "alarmante" o modelo de educação sexual utilizado em Portugal, por, diz, estimular a iniciação sexual prematura dos jovens, durante um congresso sobre a matéria a decorrer em Lisboa.»

Tinha-me escapado esta notícia do Público sobre as opiniões de um especialista norte-americano sobre a educação sexual em Portugal Eu nunca tinha ouvido do senhor, mas não posso deixar de demonstrar publicamente a minha admiração por este verdadeiro génio. William Coulson, assim se chama o génio, descobriu que existe em Portugal um modelo de educação sexual Eu nunca tinha dado por nada.

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domingo, novembro 14, 2004

Afinal não sou só eu 

Não, não és só tu... Infelizmente, o sistema educativo parece mesmo sofrer de reunite aguda. Ou será crónica?

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quinta-feira, novembro 11, 2004

Em busca do tempo perdido 

Ontem foi dia de reunião de Departamento. Que me desulpem as minhas colegas - desta e de todas as outras escolas - mas terão as reuniões que ser sempre este suplício de discussões inconsequentes e tempo perdido?
Adivinhem lá a quem calhou a tarefa de fazer a acta? De duas horas e meia de reunião, espreme-se uma página de acta.
Que me desculpe também o Proust pela abusiva citação da sua obra. Afinal isto é só uma lamúria minha.

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Os inevitáveis [?]... 

... testes escritos. Aos do ensino secundário, juntaram-se agora os do ensino recorrente. E, neste caso, o pior nem são os testes, mas a imensa burocracia que envolvem. Enfim, espera-me um resto de tarde de caneta vermelha em punho.
Agora venham daí esses comentários às canetas vermelhas, sff.

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Berlim, renasceu a 9 

Por manifesta falta de tempo, deixei aqui passar em claro uma das datas mais importantes da História europeia, e não só, do século XX: a queda do Muro de Berlim em 1989. Numa época em que, um pouco por todo o lado, se edificam os mais variados muros, o dia 9 de Novembro é uma data com importância crescente.

A propósito da queda do Muro, conferir este post do Jorge.

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terça-feira, novembro 09, 2004

Testes escritos 

Não tenho a certeza absoluta que os testes escritos sejam absolutamente indispensáveis no processo de avaliação, conforme questionava o Miguel Pinto num comentário-provocação ao post anterior. Parecem-se um instrumento de avaliação válido, embora haja professores e escolas que lhes atribuem um peso excessivo na avaliação final dos alunos. Por exemplo, o Departamento a que pertenço actualmente dá aos testes escritos um peso de 65% na avaliação final dos alunos! E contra deliberações de Departamentos e pareceres de Conselhos Pedagógicos, pouca margem de manobra resta. Pouca, mas não inexistente, porém.

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domingo, novembro 07, 2004

O fim de semana quase no fim e... 

... os sacanas dos testes não se corrigiram. Devem estar à minha espera.

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quarta-feira, novembro 03, 2004

Passo por aqui a correr... 

... porque, imperdoavelmente me esqueci de dar os parabéns a um dos meus primeiros professores de História. Foi devido a um post de A. Carlos Coelho do Didáctica da Invenção que me dei conta da minha falha. Parabéns Asterix!
E quando acima afirmo que ele foi um dos meus primeiros professores de História, digo-o sem o mínimo de ironia. Acho que boa parte do meu fascínio pela História se deve às histórias do pequeno gaulês criadas por Uderzo e Gosciny.

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terça-feira, novembro 02, 2004

Primeiros testes 

Nos últimos dias tenho deixado o blog um pouco ao abandono. Não por motivos profissionais: é que se meteu o fim-de-semana prolongado e que bem que me soube ir para fora... Sempre deu para recarregar baterias para a primeira leva de testes, que começa já na próxima Quinta-feira. Aliás, devido à incompetência do polvo, deveria dizer "que começa apenas na próxima Quinta-feira"...

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