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quinta-feira, outubro 28, 2004

Uma escola na blogoesfera 

O Agrupamento Vertical das Escolas de Rebordosa (Paredes) abriu um blog para manter a sua comunidade escolar informada quanto ao que de importante por por se vai passando. Uma excelente utilização da blogoesfera e trata-se, que eu saiba, da primeira escola a recorrer a esta ferramenta para estes fins. Que mais se lhe juntem é o que desejo.

http://ultimahoraaver.blogs.sapo.pt/

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quarta-feira, outubro 27, 2004

Há dias assim... 

Dias estranhos. Antes da hora de almoço já tinha ouvido um assinalável número de enormidades. Cerca das 11 da manhã uma aluna respondeu-me que sim, que tinha uma vaga ideia sobre um tal de George W. Bush, parecia-lhe que estava ligado aos atentados das Torres Gémeas. Sucintamente a jovem transformou Bush-the-son-of-Bush num monstruoso terrorista, o que, aliás e em certo sentido, até nem andará muito longe da verdade. Mas tenho cá a impressão que a jovem confundiu Bush com Laden... A mesma turma não fazia a miníma ideia sobre as datas das Primeira e Segunda Guerras Mundiais e ficou maravilhada com o meu vasto conhecimento de História... Numa pausa para um café, atravesso a rua e sento-me na pastelaria da esquina. Um grupo de alunos e alunas discute animadamente um qualquer assunto da actualidade nacional. Inadvertidamente, capto parte da conversa quando uma jovem se insurge contra... a entrada de um misterioso Mr. [ou será Mister?] num programa de televisão em substituição de não sei quem. Quinta das Celebridades é o tema de tão acalorado debate. Também fiquei a saber que há um casal na tal quinta que "se afastou do grupo e não participa muito nas actividades". Tudo gente a frequentar o ensino secundário português.
Após o almoço, uma reunião sonolenta em que vários docentes dissertaram longamente sobre a atitude a tomar para com dois alunos que apresentam "um preocupante registo de assiduidade". Preocupante para os docentes, claro. Os alunos em questão parecem-me bastante satisfeitos com a sua situação. Aliás, mal os conheço: um veio a duas aulas minhas e o outro a três. As aulas começaram a 20 de Setembro. Já agora e para que conste, a assiduidade desses alunos, ambos com 20 anos e a frequentar o 10º ano de escolaridade, não me preocupa minimante e estranho que um Conselho de Turma gaste uma hora a discutir um assunto que para os mais interessados - os alunos - é notoriamente irrelevante. Para que conste também, na mesma turma a maior parte dos alunos reside fora do concelho e há quem se levante às 6 horas da manhã, e chegue a casa por volta das 8 da noite, para estar na escola. Sobre esses alunos disse-se zero. Nada. Nicles. Tudo gente a leccionar, com a melhor das intenções acredito, no sistema de ensino português.
A meio da tarde reuniu a Assembleia de Escola. Não faço parte deste orgão, felizmente, mas não é preciso ser adivinho para calcular que lá se tomaram seríissimas deliberações após envolventes debates e frutificantes trocas de ideias.
Não compreendo este sistema de ensino. Mas não desisto. Quanto mais não seja pelos que daqui a 6 horas se estarão a levantar da cama. Entretanto vou eu dormir que amanhã é outro dia.

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A liberdade 

Contorno hoje excepcionalmente o mote principal deste blog, ou seja as minhas aventuras e desventuras no [sub]mundo da educação em Portugal. Neste momento, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa presta declarações à Alta Autoridade para a Comunicação Social em mais um episódio de uma triste novela absurdamente real. Os motivos desta audição são mais que conhecidos [as declarações de um trapalhão que se viu elevado à condição de ministro; uma reunião do Professor com o seu patrão que acabou por conduzir à saida do primeiro da mesma estação onde um tal de José Castelo Branco é agora o herói; a já mais que óbvia e inquestionável tentativa por parte do governo no sentido de exercer uma apertada vigilância sobre a comunicação].
As declarações de Marcelo têm sido demolidoras para Miguel Pais do Amaral e Pedro Santana Lopes, e respectivo governo. Aquilo que me importa realçar neste momento é a ameaça que paira sobre um direito que todos tínhamos por adquirido, o direito à liberdade de expressão, aliás correlativo do direito ao livre pensamento. A produzir resultados práticos esta tentativa de limitação desses direitos, verificar-se-à em Portugal um recuo que mais do que anti-democrático será civilizacional. Todos somos responsáveis se tal suceder. Todos sem excepção. Cabe a todos os cidadãos que habitam o espaço geográfico e político conhecido como Portugal, Madeira incluida, exercer cada vez mais um espírito crítico. Cabe a todos nós manter uma vigilância apertada sobre estes senhores que se crêem omnipotentes e na primeira oportunidade correr com eles para longe. Para bem longe.
Enquanto Professor, cabe-me a mim continuar a despertar nos meus alunos o tal espírito crítico. Assim, se salvaguardará o seu futuro livre e democrático. Porque, de facto, não há direitos definitivamente adquiridos.
Felizmente, os blogs assim se mantêm como espaços absolutamente livres de pressões.

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sexta-feira, outubro 22, 2004

Another brick off the wall 

Não sei se o interessado vai perceber a intenção do trocadilho, creio que sim, mas serve o título que encima esta prosa para dar as boas-vindas a mais um professor ao mundo dos blogs. Trata-se do Jorge que debita as suas Profidências por aqui.

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quarta-feira, outubro 20, 2004

A Maria do Carmo 

A Maria do Carmo é uma excelente pessoa. Não posso dizer que a conheça o suficiente, mas parece-me uma pessoa competente e cumpridora das suas obrigações profissionais. É educada, afável e tem sempre uma palavra de solidariedade para com alunos e professores [e presumo que pais e encarregados de educação]. A Maria do Carmo é comunicativa, um pouco "tia" mas, como direi?, nada cabeça-de-vento. Parece-me uma pessoa exigente, embora um nadinha intransigente.
A Maria do Carmo é professora de História na minha escola e qualquer semelhança entre ela e a outra será mera e infeliz coincidência.

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Morrerá solteira ou mal casada? 

A culpa não é de ninguém. Nem de Maria do Carmo Seabra, nem de David Justino, nem dos respectivos secretários de Estado, nem da Compta, nem da Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação. Ainda se há-de vir a descobrir que afinal a culpa nem do sistema é. a culpa é dos professores, hão-de ver.

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sexta-feira, outubro 15, 2004

Horários 

Na minha escola as aulas começaram no dia 16 de Setembro. Quer dizer, no dia 16 de Setembro fez-se a recepão aos alunos e respectivos pais e encarregados de educação, mas só no dia 20 as aulas começaram realmente [e ainda assim com uns quantos professores em falta]. Só nesse dia 20 recebi o despacho da DREL a colocar-me aqui e só nesse dia recebi o meu horário. "Nada mau", pensei na minha optimista ingenuidade. Tardes livres, alguns furos no horário mas nada de grave.
Uns dias depois foi-me entregue outro horário com uma alteração ao original. Uma alteração algo inconveniente para mim [deu-me cabo da tarde de sexta-feira] mas benéfica para a turma que assim conseguiu ficar com duas tardes livres, portanto não reclamei. Students first.
Mais uns dias passaram e uma das minhas turmas comunica-me que, em princípio, iria haver umas alterações no respectivo horário, nomeadamente na disciplina de Inglês [a que eu dou]. Tudo bem, se a turma me tivesse conseguido explicar o benefício dessa alteração. Não conseguiu.
Entretanto passaram mais uns dias e nada de alterações.
Até que... me comunicam que tenho uma falta injustificada! "Eu?! Impossível", argumentei. "Tem sim, senhor doutor [grrrr...], na última sexta-feira às 14h30", explicou a paciente funcionária. "Eu?!!! Às 14h30??? Mas se eu nem tenho aula a essa hora!". Pois afinal tenho. Toda a gente havia sido informada da alteração do horário: a turma, a funcionária do piso, os serviços administrativos e vários professores da escola. Todos menos eu.
Lá me dirigi ao Conselho Executivo para que me explicassem a situação e parece que houve um lapso qualquer, situação naturalmente desculpável. Erros, quem não os comete? O pior foi quando lhes pedi que me explicassem o motivo desta alteração. Que era melhor para uma turma qualquer que assim conseguia uma tarde livre mas para isso acontecer tiveram que mexer em diversos horários e mais não sei o quê... O pior foi quando lhes pedi que me explicassem concretamente qual a turma que tinha beneficado da tal alteração. "Isso agora... bem enfim... ahhh... o colega depois passe por cá que agora estamos ocupados.... o dossier dos horários não está aqui... enfim... tenha lá paciência...". Pois, "lá paciência" eu tenho. O que tenho é muito pouca tolerância para alterações inexplicáveis que, suspeito [estou certo...], só beneficiam um professor qualquer em detrimento de outros [quando não com prejuízos para os alunos...].
Com exemplos destes vindos de cima...

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quarta-feira, outubro 13, 2004

Novas tecnologias, my foot! 

No início deste ano lectivo - sem parentisses para piadinhas fáceis ao polvo - tentei nas minhas turmas de ensino secundário levar os meus alunos a interessarem-se pelo mundo dos blogs. A minha intenção era, eventualmente, utilizar a blogoesfera como uma ferramenta de trabalho, aprendizagem e troca de ideias, partilha de cumplicidades. Partia do ingénuo princípio de que as novas gerações estão atentas e despertas para os novos meios de comunicação e para as novas formas formas de interacção social. Genericamente não estão. Quer dizer, estão se lhes falarmos de chat rooms, sms, mms e toques... Ou seja, o lado show off, espectacular, exibicionista das novas tecnologias exerce sobre esta geração uma atracção fatal. Quanto a tudo o resto, nada. Salvo raras excepções, com certeza. Mas se calhar estou a ser pessimista. Se calhar, estas novas gerações são tão somente o produto lógico de anos e anos de boas intenções e faustosas fachadas compradas a crédito.
Honra seja feita ao M.A., que não só ficou curioso como até já "fundou" o seu blog.

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sexta-feira, outubro 01, 2004

Regresso às aulas [e ao passado] 

Quando eu era aluno era assim: as aulas nunca começavam antes do mês de Outubro [o que, aliás, não me ralava nada - nem a mim nem a nenhum dos meus colegas]. Este ano voltou a ser assim para milhares de alunos portugueses. Oficialmente hoje é o início do ano lectivo - o segundo início, por sinal.
Deixo no ar uma sugestão que a todos beneficiará: no futuro continue-se a iniciar o ano lectivo no dia 1 de Outubro. Algumas vantagens: o polvo passa a ter mais um mês para colocar os professores, o que evitará a angústia deste ano; os alunos ficarão indubitavelmente mais felizes com mais um mesito de férias; os centros comerciais terão mais clientes duante um mês [os alunos em férias], aumentando os seus lucros e assim contribuindo para a tão esperada retoma; os professores começarão o ano mais descansados e com mais tempo para preparar as aulas.
Os pais e encarregados de educação, enfim, que tenham paciência e confiem na autonomia dos seus petizes [e nos centros comerciais...]. Afinal, para muitos, este ano as aulas a sério só começam hoje [ou na próxima quarta-feira...] e não houve grandes problemas por causa disso, pois não? Ou houve?...

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Ai, ai, ai... Deixe-me lá ver o que é que falhou... 

«[...] uma lei com erros, alterada a meio do jogo; um despacho posterior, com novas emendas, considerado ilegal pela Provedoria de Justiça; um ministro e um secretário de Estado de costas voltada e irremediavelmente em colisão; um concurso que junta, no mesmo saco, recém-licenciados à procura de um horário incompleto numa escola básica e docentes no topo da carreria que pedem destacamento para outro estabelecimento de ensino, e todos eles a competir com educadores de infância. Junte-se a este bolo uma cereja - um programa informático, completamente novo e não testao, desenvolvido por uma empresa inexperiente na matéria, e o desmembramento de serviços que, no passado, serviam de aopio ao ministério na colocação de professores - e temos a receita para uma indigestão.»
Visão, 30 de Setembro

Chega, senhora ministra? [Por acaso, até devem ter ocorrido ainda mais falhas...]

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