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quarta-feira, junho 30, 2004

Uma aparência de modernidade 

Estamos - dizem-nos os nossos governantes - na idade da informação e do conhecimento e das novas tecnologias e o diabo a sete. Eles falam - mais os anteriores que os actuais que estão prestes a ser também eles anteriores - em ligações à rede mundial de computadores, eles falam em internet, eles falam, eles falam... No terreno, que é como quem diz nas escolas (em boa parte delas, pelo menos), a realidade é bem diferente. Os computadores ou são velhos, desactualizados e lentos, ou são modernos e rápidos mas sem manutenção adequada e cheios de problemas. Um exemplo: na sala de professores da minha escola (de passagem) há um computador todo modernaço com um monitor que foi aproveitado de uma velharia qualquer e com um teclado avariado ligado a uma impressora que raramente tem tinteiro (ou papel). Ainda hoje tentei imprimir um documento na dita cuja e tinta nem vê-la. "Imprime em casa", dizem-me. Porquê? Porque hei-de eu gastar folhas e tinta do meu bolso para trabalho da escola?! Já não bastam as despesas que tenho por me encontrar deslocado? A seguir querem o quê? Que compre o giz? E os livros dos meus alunos, já agora? E que ajude a pagar as contas de telefone, electricidade, água e papel higiénico da escola?
Regressando aos computadores. Tudo seria bem mais simples e eficaz se a escola tivesse alguém que se encarregasse - a sério - da manutenção dos seus computadores e sistemas informáticos.

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Intermitências 

Mais de uma semana depois do último post regresso ao meu intermitente diário online. Os últimos dias não têm sido propriamente de férias - longe disso - e o tempo para "postar" não abunda. Nem o tempo, nem as condições.

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segunda-feira, junho 21, 2004

Mais alterações 

Desta vez não nos anunciam uma reforma do sistema educativo português, apenas uma alteração de currículos. Pela experiência que tenho tido, sempre que o polvo promete alterações, estas resultam na prática quer em erros quer em enormes trapalhadas.
Entretanto, continuo a achar que a educação em Portugal não precisa de reformas. Do que nós precisamos é de um novo sistema educativo, mas pensado cuidadosamente. E já agora, construido a partir das bases e não do telhado como tem sido habitual em Portugal.

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Estranhas associações 

Hoje fujo um pouco ao, digamos, tema principal deste meu pseudo-diário. Estranhamente e a propósito do Euro2004 lembrei-me de uma canção de Jorge Palma.


Portugal, Portugal

Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

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sábado, junho 19, 2004

Lá se passou, com mais ou menos stress, a pior semana deste meu ano lectivo. Depois de cinco dias alucinantes em que tive que dar aulas à noite, participar em reuniões de avaliação e dirigir uma delas [com toda a medonha burocracia que isso implica], fazer uma vigilância de um exame e corrigir provas de exame de equivalência à frequência de Inglês, este fim de semana não faço nada. Rigorosamente nada a não ser preguiçar. Ou seja, fazer algumas das coisas de que mais gosto: ouvir música, ver um filme ou dois, ler a imprensa do fim de semana e sair com os amigos. Aliás, agora reparo que são quase 8 da noite, está a começar o Holanda - República Checa e daqui a pouco tenho uma jantarada com um grupo de amigos. Vou-me embora que se faz tarde.
Até amanhã!

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segunda-feira, junho 14, 2004

Ruinas 

Assim vai a educação em Portugal.

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domingo, junho 13, 2004

Estou in... 

Estar in é bom, não é? Apesar de ter descido ligeiramente nas Lista de Graduação Provisória, não fui excluído. Já não é nada mau. Agora resta esperar pela lista de colocações. Pacientemente.

A menos que o polvo tenha metido água novamente.

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sábado, junho 12, 2004

Estarei in? Estarei out? 

De momento não é possível responder ao seu pedido.

Tente mais tarde por favor.

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Cá estão elas 

As listas provisórias...

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sexta-feira, junho 11, 2004

In the meantime... 

... alguém me soprou ao ouvido que o big boss fez saber que as novas listas graduadas devem ser publicadas no princípio da próxima semana. Acredito. É a altura ideal para o polvo revelar mais uma das suas trapalhadas. Afinal, as escola secundárias vão estar todas demasiado ocupadas para que os docentes tenham tempo para se entreterem com minudências e erros, ditos informáticos, nas listas. Pode ser que me engane e que tudo corra bem desta vez.

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Resumo da matéria dada 

Finalmente chegou ao fim esta última semana de aulas! Segunda-feira custou o habitual, mas a terça foi um verdadeiro martírio.
Primeiro o choradinho daqueles e daquelas que agora se lembram que o ano está a chegar ao fim e que vão ter negativa à minha disciplina. O ritual do habitual das aulas de auto-avaliação: "ó setor vá lá blah blah se me der nega eu chumbo blah blah blah eu até nem me porto mal blah blah blah e às vezes até fazia os tpcs blah blah blah". Desculpem lá garotos, mas agora é tarde e eu bem vos fui avisando ao longo do ano. Lamento. Depois houve uma daquelas estranhas reuniões de Directores de Turma em que um coordenador - no meu caso uma - se limita a ler uns papéis com as recomendações do costume sobre as reuniões de avaliação, além de ir "recordando" umas inutilidades sobre avaliação e de debitar uns recados mais ou menos velados para uns quantos DTs. Sobrevivi às três horas de suplício.
Quarta-feira era dia de entrega das propostas de classificação no Conselho Executivo e lá cumpri o meu dever sendo brindado, mais uma vez, com o charme rude das senhoras que dirigem a escola à qual estou "emprestado"... Custa-vos muito ser um bocadinho simpáticas? Afinal de contas somos todos "colegas", ou não?
Quinta-feira, feriado. Apesar disso, lá revi novamente as classificações que propus. Não havia dúvidas: uma desgraça.
Hoje foi dia de lançar as benditas classificações no sistema informático dos Serviços Administrativos (parece que é assim que as senhoras gostam de se referir ao seu serviço...).
Entretanto, pelo meio, ainda houve tempo para umas Jornadas Culturais na escola, pretexto para balda generalizada às aulas.
A próxima semana também promete: aulas do ensino recorrente nocturno, reuniões de avaliação, júri de exame de equivalência à frequência, correcção das provas do mesmo, vigilância de exames e reunião de Departamento. Um pitéu.

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segunda-feira, junho 07, 2004

Desaparecido em parte incerta 

Despareceu de casa de seus pais o concurso para a colocação de docentes relativamente ao ano de 2004/2005. O desaparecido vestia calças e camisa rotas e sofre de graves perturbações (mentais e outras).
Dá-se alvíssaras a quem o encontrar.

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Liberdade 

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

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sexta-feira, junho 04, 2004

Seja diferente... atreva-se! 

Não sei o que me passou pela cabeça para ter tido a peregrina ideia de proporcionar uma aula diferente aos meus alunos de 10º ano. Já me passou. Até porque a escola não tem a porcaria de um leitor de DVD requisitável, ferramente essencial a essa aula diferente (só queria que os meus jovens e entediados alunos vissem um filme...). Paciência. A rapaziada que ature mais uma aula chata. E se quiserem ver filmes, que vão ao cinema. Ou vejam televisão pela madrugada dentro. Ou então aluguem.

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Time drags when you're not having fun... 

Ontem tive uma preenchida e soporífera tarde: reunião de departamento, título pomposo para mais de três horas de aborrecimento. Ouvir ler decretos, portarias e informações inúteis oriundas do Conselho Pedagógico não são actividades que me estimulem por aí além. Como se não bastasse, fui obrigado a prestar moderada atenção ao que se ia lendo porque me calhou a "honra" de redigir a acta da reunião.
Enfim, uma tarde de sol desperdiçada entre quatro paredes. E a praia aqui tão perto...
Entretanto já estou em fase de mentalização para mais uma excitante tarde na próxima semana: reunião de Conselho de Directores de Turma. Mais três horas a ouvir ler informações, advertências e chamadas de atenção que todos estão fartos de ouvir.
Saio sempre destas reuniões com a estranha sensação de que me passaram um atestado de galopante burrice.

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