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segunda-feira, maio 31, 2004

An englishman in Spain 

Este "exilado" em Espanha tem umas histórias bem interessantes sobre o que se passa nas suas aulas de Inglês. Este é um bom exemplo. English recquired, by the way...

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Um fim de tarde divertido 

Hoje foi dia de reunião geral de professores cá na escola. Parece que os senhores que mandam na educação em Portugal obrigam as escolas a realizar uma reunião de preparação para os exames nacionais e de equivalência à frequência. Basicamente, servem estas reuniões, ditas de preparação, para que alguém do Conselho Executivo - geralmente o/a presidente do dito - leia umas folhas que foram previamente distribuidas a todos os presentes. Ou seja, tratam-nos como irresponsáveis e incompetentes que jamais leriam umas míseras três páginas de instruções / proibições sobre o que fazer antes, durante e após uma vigilância de exame. A propósito, algumas das instruções que anualmente recebemos são hilariantes de tão absurdas.

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domingo, maio 30, 2004

Concursos?... Aaah... Quais concursos? 

"[...] parece-me que ainda muito vai acontecer até ao final dos anos nas nossas escolas [...] Onde consta que nada se passará é no que toca a concursos... Consta que vai ser um ano zero... Sem concursos... sem novas colocações... Tudo como dantes..."

Não me admirava nada. O silêncio sobre os concursos ali para os lados da 5 de Outubro tem sido... ensurdecedor. E esclarecedor, acrescente-se.


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Faço minhas estas palavras, mas... 

"As turmas que nunca põem criticamente em causa o que professor ensina, tornam o professor preguiçoso. E o mais grave é que essa conduta, em jovem, leva à inércia mental do futuro adulto! Este passa a acreditar em tudo o que ouve e que lê..."

Isto passa-se já, e não só em Portugal, e o mal nem é de agora. O que aliás dá imenso jeito às classes dirigentes, diga-se de passagem: nada como uma população inculta, sem curiosidade, conformada e acrítica para que os senhores do poder façam o que muito bem lhes apraz (hoje acordei virado para a esquerda, não sei se deu para perceber...).

Por outro lado, pergunto-me: não caberá aos professores estimular o espírito crítico nos seus alunos? Porém, talvez isso não aconteça porque... significativa parte da actual classe docente - do ensino básico ao ensino superior - ser constítuida por gente que, quando estudante, nunca "punha criticamente em causa o que o professor ensinava."

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sexta-feira, maio 28, 2004

The end [daqui até lá que não me doa a barriga] 

Faltam (apenas? ainda?) duas semanas para o final das aulas mas a sensação que paira na escola, entre os alunos, é já de férias. Quem não fez nada ao longo (looongo...) do ano lectivo continua como sempre, naturalmente. Quem até foi fazendo alguma coisinha tem-se dedicado nos últimos dias a olhar pelas janelas ou para os tectos das salas de aula. E até os alunos mais aplicadinhos parecem ter antecipado as férias. Se calhar eu devia fazer o mesmo.
A verdade é que nesta altura do "campeonato" (se a "nossa" ilustre classe política pode abusar da linguagem futebolística, eu também poderei recorrer a uma metaforazita de cariz futebolístico, não?) tudo já está praticamente decidido em termos de avaliação. Ou seja, quem transitará de ano já não precisa de se chatear muito mais e quem não transitará excusa de se preocupar agora.
É nestas alturas que me dão umas, ténues, saudades dos meus tempos de estudante: a partir de meados de Junho e até Outubro era só brincadeira. Agora, depois do final das aulas ano lectivo ainda falta toda aquela estopada de matrículas, vigilâncias, júris de exames e outras actividades igualmente aliciantes. Já para não falar das estimulantes aulas do Ensino Recorrente nocturno que se prolongam até meados de Julho...

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quinta-feira, maio 27, 2004

Inevitável 

Mesmo fora, e algo distante do Porto, os ecos da vitória de ontem à noite do Futebol Clube do Porto fizeram-se naturalmente chegar à minha, salvo-seja cruzes-canhoto, escola. Alguns cachecóis deram cor a um espaço habitualmente cinzento. Obrigado aos campeões europeus por darem outro colorido às minhas aulas. E parabéns. O FêCêPê é das poucas coisas que ainda vai dando alegrias aos portugueses, portistas ou não (como é o meu caso).

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domingo, maio 23, 2004

Fora-de-jogo 3 

N., portista ferrenho e preguiçoso militante, anulou a semana passada a matrícula à disciplina de Inglês. Por uma vez tive pena: o catraio tem sentido de humor. Uma nulidade a Inglês, mas um divertimento em qualquer sala de aula. O lado positivo desta anulção é óbvio: é menos uma classificação negativa que terei que atribuir no final do ano lectivo.

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Recados 

Na semana passada fui abordado por um colega que queria saber qual era a situação de uma determinada turma. Não tinha que o fazer, mas lá o informei da lastimável situação da turma: a maior parte dos alunos caminha alegremente para uma repetição de ano (pela segunda vez em alguns casos). O dito colega, que nem sequer é professor da turma, exprimiu a sua preocupação e, muito pouco subtilmente, intimou-me a "fazer qualquer coisa por eles", chegando mesmo dizer que o respectivo Conselho de Turma terá provavelmente que "engolir alguns sapos" e passar uns quantos jovens. É todos os anos a mesma coisa. Com o aproximar do fim do ano lectivo há sempre uns recados e umas pressões no sentido de passar este ou aquele aluno. Estranhamente, todos os anos a minha reacção é a mesma: limito-me a desempenhar a minha função docente e, chegado à altura de avaliar os meus alunos, pondero cuidadosamente todo o trabalho desenvolvido ao longo do ano lectivo atribuindo-lhes a classificação que julgo mais justa em função desse trabalho e dos conhecimentos adquiridos.
Porque é que esta gente insiste em me pedir que "faça qualquer coisa por eles"? Eu faço. Muito. Ao longo de todo o ano lectivo. Tenho pena é que muitos dos meus alunos não façam nada por eles próprios. Só há uma coisa que não faço: milagres. Tenho pena, mas é assim.

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sábado, maio 22, 2004

Untitled 

Raio de escola onde fui parar este ano! São mais os dias em que a ligação à internet não está funcional do que aqueles em que está operacional... Daí estes longos dias de silêncio. É exasperante. E falam os nossos governantes em escolas apostadas nas novas tecnologias...

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segunda-feira, maio 17, 2004

Ainda os manuais escolares 

Agora resta-me esperar ansiosamente a resposta das concorrentes da Porto Editora e ver que títulos vão elas desencantar com base em Harry Potter ou no Senhor dos Anéis. Ou será que a própria Porto Editora tem toda uma linha de manuais cinematograficamente "sedutores"?

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Ainda The Matrix 

Se a ideia da Porto Editora é seduzir os/as alunos/as recorrendo a algo de que eles e elas gostam, também se podiam ter lembrado de oferecer, em caso de adopção de On-Line Reloaded [Reloaded??? pausa para gargalhar], uns charros às escolas. Ouvi dizer que muitos gostam e, assim, pelo menos iam para as aulas com um sorriso nos lábios. Discentes e docentes - ou há moralidade ou comem todos. Fumam, neste caso.

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You're joking, right? 

Acabo de receber manuais para o 11º ano de duas editoras e estou em galhofeiro estado de choque. The Matrix, a épica trilogia de Neo e da sua luta contra as máquinas, chegam à sala de aula. Um dos manuais chama-se On-Line Reloaded e a capa é toda ela matrixiana. O manual é da Porto Editora e os seus autores são Teresa Pinto de Almeida e Fernanda Ferreira Alves. Ainda não tive tempo de apreciar o manual, mas desde já me ocorre uma palavra: ridiculo. Não tenho nada contra The Matrix, mas isto é absolutamente ridiculo. Presumo que a ideia será "seduzir" os alunos do 11º ano através de um filme de que "eles" gostam.
Mas porquê reloaded?! Porque não On-Line Revolutions? Revolutions sempre me daria alguma esperança... Agora reloaded... hmmm... Cheira-me a manual velho com grafismo novo. Como habitualmente.

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A propósito do post anteriror 

Não se pense que sou apenas eu a arrastar-me às Segundas-feiras para a escola. A generalidade dos professores portugueses chega a esta altura do ano lectivo no limite da paciência, quando não para lá desse limite. Cansados, desmotivados, fartos dos alunos, dos funcionários e fartos uns do outros. Também não ajuda muito chegar a esta altura do ano e continuarmos a ver os nossos "patrões" (que deveriam ser os primeiros a querer ver-nos satisfeitos) firmes e hirtos, como diria o outro, na sua magnífica e descomunal incompetência. Mas se pensam que a culpa é de David Justino, estão muito enganados. O senhor terá as suas responsabilidades, mas não está sózinho.
Estou firmemente convicto de que, esteja quem estiver à frente do polvo, a incompetência é generalizada. O problema não é dos ministros ou dos secretários de Estado que temporariamente por lá passam. O problema é toda uma estrutura mastodôntica que permanece imóvel e inamovível na sua incompetência. A responsabilidade dos ministros e dos secretários de Estado que por têm passado tem que ver, essencialmente, com a incapacidade (ou falta de coragem?) que todos têm revelado em reformar a besta.

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Abençoado fim-de-semana 

Eu sei que corro o risco de me tornar repetitivo em relação aos fins-de-semana, mas a verdade é que a cada semana que passa o regresso à escola na Segunda-feira se vai tornando progressivamente doloroso. O fim-de-semana é mesmo uma benção.

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sexta-feira, maio 14, 2004

Os estádios do desenvolvimento 2 

Parece que alguns deputados da Nação andam preocupadíssimos com a eventualidade de o presidente da Assembleia da República não lhes justificar as faltas no dia 26 de Maio. Estes senhores, que não serão tão poucos como isso, querem deslocar-se a Gelsenkirschen para assistir ao vivo ao jogo da final da Liga dos Campeões Europeus de Futebol, faltando assim ao trabalho. Isso a mim não me incomoda nada. Já me incomoda, e muito, que estes senhores, representantes do povo português que os elegeu e os sustenta, queiram faltar ao trabalho apresentando como motivo para justificar a sua falta "trabalho político". Eu por mim, lanço já daqui um desafio a todos os portugueses (trabalhadores e alunos): vamos todos faltar ao trabalho e à escola no dia 26 de Maio para ver o tal jogo. Eu já sei que justificação vou apresentar para a minha falta: "trabalho pedagógico no âmbito da formação contínua". Afinal, preciso de estar a par de tudo aquilo que acontece em Portugal e no mundo para poder ser um bom professor e, inegavelmente, a presença de um clube de futebol português numa final destas, ainda para mais em ano de Europeu de Futebol em Portugal, é um acontecimento da maior relevância... Ou não é?

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Os estádios do desenvolvimento 

Anda por aí uma polémica em torno da ida do primeiro ministro português a Gelsenkirschen para assistir ao jogo da final da Liga dos Campeões de Futebol entre o Futebol Clube do Porto e o Mónaco. Eu acho muito bem que o senhor primeiro ministro vá à bola, assim como acho muitíssimo bem que vá ao cinema, ao teatro, a concertos, a bibliotecas e que leia e ouça música e, genericamente, que se divirta. Já me faz, porém, alguma confusão que o senhor primeiro ministro, para ir à bola, cancele ou adie uma visita de Estado faltando assim aos seus compromissos, não cumprindo as suas obrigações. O que quer o senhor primeiro minsitro que os cidadãos que o sustentam com os seus impostos pensem dele?
Imagine, senhor primeiro ministro, que no dia 26 de Maio - dia do tal jogo de futebol - eu, Professor do Quadro de Nomeação Definitiva (destacado, acrescente-se), resolvo "cancelar" ou "adiar" as aulas do Ensino Recorrente (nocturno) para ficar em casa a assistir ao jogo de futebol? O que pensariam os meus alunos de mim? No mínimo que sou um "baldas". O que quer o senhor primeiro ministro que nós pensemos de si?

Mais uma vez se confirma que o futebol tem, entre nós, mais importância que qualquer outro assunto. Mais uma vez se confirma que, civilizacionalmente, este país se encontra ainda num estádio de desenvovlimento baixo. Confragedoramente baixo.

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segunda-feira, maio 10, 2004

Mais uma semana, menos uma semana 

Segunda-feira é um dia terrível. É dia de sair de casa, deixar amigos e família e seguir viajem para a escola onde me encontro deslocado / destacado. E até sei que, de certo modo e por comparação, sou um priviligiado: "só" tenho que percorrer pouco mais de 100 kms...
Esta segunda-feira é ainda mais terrível: é o primeiro dia de uma semana em que é preciso acabar a elaboração dos exames de equivalência à frequência e passar tudo a computador. E registar faltas e justificações de faltas e receber encarregados de educação e preparar aulas e dar aulas e... Nunca mais chegam as férias! As más notícias: esta é mais uma semana no pesadelo educativo português. As boas notícias: fica a faltar menos uma semana para o fim do ano lectivo.

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quinta-feira, maio 06, 2004

Conversas de profs 

Esta semana as palavras mais ouvidas na sala de professores têm sido "colocações", "incompetência", "vigarice", "trapalhada", "concursos" e "listas provisórias". E não necessariamente por esta ordem. E por vezes em combinações frásicas deveras interessantes.

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Fora de jogo 2 

F., jovem não particularmente brilhante com um vivo interesse em automóveis e camiões matriculado na turma da qual sou Director de Turma, estava à beira de reprovar (ser excluido, na linguagem do polvo) por faltas à disciplina de Português. Por uma vez F. teve um lampejo de inteligência: anulou a matrícula a essa disciplina e poupou-me uma carga de trabalho burocrático. Obrigado, F., I owe you one...

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Fora de jogo 

Desde que recomeçaram as aulas após a interrupção lectiva da Páscoa, dois dos meus alunos (do 10º ano, claro) anularam a matrícula à disciplina de Inglês: R. e B. (o tal da falta de motivação). Não posso dizer que tenha ficado triste. No exacto momento em que ambos anularam as respectivas matrículas na minha disciplina, o sucesso estatístico da turma a que ambos pertenciam subiu vertiginosamente.

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segunda-feira, maio 03, 2004

Que estranho 

Parece que, mais uma vez, o polvo fez asneira nos concursos... Grande novidade! Estranho seria tudo ter decorrido com normalidade.

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